O Município

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A região que hoje constitui o território do município de Rio Negro, era habitada nos seus primórdios pelos índios botocudos, que dominavam as matas das encostas marítimas da Serra do Mar até o rio Timbó, nas bacias dos rios Negro e Iguaçu ao norte, até o rio Peixe, na bacia de Pelotas, ao sul.

Desde os tempos das Capitanias de São Pedro do Sul, está região era cortada por tropeiros que conduziam o gado de Viamão no Rio Grande do Sul a Sorocaba em São Paulo.
O caminho aberto pelo próprio gado, era difícil e os perigos constantes, o que acarretava vultuosos prejuízos aos tropeiros.
Em 1816, os tropeiros requereram a O. João VI a abertura de uma estrada ligando a Vila do Princípe (Lapa), no Paraná à Vila de Lages em Santa Catarina.
A construção da “Estrada da Mata” é iniciada em 1826, sendo João da Silva Machado, futuro “ “Barão de Antonina” o responsável pela obra e fixação dos trabalhadores no povoado, nascendo assim Rio Negro.
A povoação deve ter sido iniciada após a chegada dos trabalhadores que iriam atuar na construção da estrada em princípios de 1827, mas até que se fizessem as primeiras construções, se constituísse a Capela Provisória, se atraíssem moradores e se fizessem outros arranjos, considera-se a data de fundação de Rio Negro, 26 de julho de 1828(data de elevação da Capela Provisória à Capela Curada, a pedido de João da Silva Machado).

A elevação da Capela Provisória à Capela Curada data de 26 de julho de 1828.
Rio Negro passou de Capela Curada à Freguesia do Senhor Bom Jesus de Rio Negro em 28 de fevereiro de 1838 e, “elevada à categoria de vila pela Lei 219 de 02 de abril de 1870, decretada pela Assembleia Provincial do Paraná e promulgada pelo então Presidente da Província, Antônio Luiz Affonso de Carvalho.” (Centenário da colonização Alemã, p.34)
“Em 06 de fevereiro de 1829 chegaram a Rio Negro as 20 primeiras famílias alemãs, compostas de 105 pessoas, das quais 45 de maior idade; vindas de Trier, cidade do Sul da Alemanha. (…) Em novembro desse ano, chegaram mais de 31 famílias com 142 pessoas, das quais 59 de maior idade; em fins de 1829 portanto achavam-se localizadas 51 famílias alemãs, com 247 pessoas. (…)
Para garantir a subsistência própria, tiveram de derrubar a mata, destocar a terra para revolvê-la e plantar o cereal necessário à vida. “ (Centenário da Colonização Alemã – p. 37).
Com a chegada desses colonos, a povoação nascente tomou um impulso extraordinário, construindo-se moradas em ambas as margens do rio e criando um movimento notável para a época.
Nos anos 1887 (41 pessoas) e 1888 (336 pessoas), chegaram a Rio Negro os imigrantes bucovinos, colonos de origem germânica, com raízes étnicas na Baviera, Sul da Alemanha, de onde saíram no século XVIII, e cujo dialeto bávaro herdaram. Os bucovinos eram pessoas de costumes simples, católicos e de grande disposição para o trabalho na agricultura, na pecuária e nas atividades madeireiras, desenvolvidas na floresta Bávara, os quais também contribuíram para nossa formação cultural.

Em 1916, com o fim da Guerra do Contestado, foi estabelecido o acordo de limites entre Paraná e Santa Catarina, e parte do município de Rio Negro foi desmembrada originando as cidades de Itaiópolis, Três Barras e Mafra.

Tropeiros
Em Rio Negro existe o Clube de Tropeiros “Estrada da Mata”, que tem por objetivo resgatar a história dos tropeiros e do município, como surgiram, quais os primeiros moradores, sua etnia e manter um relacionamento de confraternização, amizade e lealdade, preservando os costumes e tradição do tropeirismo.

Imigrantes

  • Os alemães

Em Rio Negro, onde existia um pequeno povoado com o nome de “Capela da Estrada da Mata” com 108 moradores em 1828, localizaram-se famílias alemãs, que teriam embarcado no veleiro alemão Charlote Louise em 30 de junho de 1828, portanto de conformidade com os planos do Governo Imperial em atrair imigrantes europeus ao nosso país. Apesar de terem aportado no Rio de Janeiro em 02 de outubro, somente em janeiro de 1829 chegaram em Antonina, e seu destino foi alcançado em 06 de fevereiro de 1829. (NADALIN, 1969, p02).
Houve duas remessas de colonos alemães para Rio Negro, a pedido do Barão de Antonina que, “para garantir a subsistência própria, tiveram de derrubar as matas, deslocar terras para revolvê-la e plantar o cereal necessário à vida” (CENTENÁRIO, Livro do 1929, p37). Com a chegada desses colonos, a povoação ganha impulso e cria um movimento notável para a época.

  • Os bucovinos

A origem dos bucovinos está na Baviera (Bayerischerwald), sul da Alemanha, de onde emigraram para o Böhmerwald (na Boêmia, atualmente República Tcheca) em fins do século XVIII. Em 1838/1840, foram para a Bucovina, hoje Romênia.
Em 1887 e 1888, imigraram para o Brasil, em duas levas, mais especificadamente, Rio Negro (PR) num total de 77 famílias, 377 pessoas onde realizaram as tarefas de desbravamento, a começar pela derrubada das matas para o plantio e estabelecimento de sua cultura. Os bucovinos ocuparam largo setor de atividades econômicas conquistando relativa prosperidade, conservando, porém, algumas características específicas, representadas, sobretudo pela língua, tradições e costumes.

  • Os poloneses

Em 1890 Rio Negro recebeu uma grande leva de colonos poloneses destinados à colônia Lucena, então pertencente a Rio Negro. Hoje a antiga colônia pertence ao próspero município de Itaiópolis, Santa Catarina, desmembrado de Rio Negro através do Acordo de Limites entre Paraná e Santa Catarina, em 1916.
Os imigrantes poloneses marcaram sua forte presença no município em 1891. Alojaram-se em um barracão, às margens do rio Negro, onde viviam com imigrantes de outras origens em condições precárias. Foram surpreendidos por uma enchente avassaladora, quando o representante dos imigrantes, registrava em cartório um ou dois mortos, todos os dias. Assim as epidemias causadas pós-enchente mataram mais de trezentos imigrantes poloneses, sem contar os que foram mortos por ocasião do Cerco da Lapa, quando lutaram como verdadeiros heróis.